A escala da cidade
segunda-feira, julho 30, 2007 1:00:00 AM

O passeio aos pedestres!
O projeto do centro de Maringá, feito por Macedo Vieira, previu as calçadas largas jamais vistas em outras cidades brasileiras. Talvez o mesmo desenho de calçadas tenha se repetido em Cianorte, também projetada por Macedo Vieira.
Inspirando-se talvez do modelo de City-Garden, de Howard, e também para compensar a falta de espaço destinado aos pedestres, muitas cidades na Europa, impediram o tráfego de automóveis em trechos de ruas. Aos poucos, todo os núcleos históricos mais importantes tiveram o acesso de carros limitado, permitindo apenas os veículos públicos.
Como resultado, a rua se tornou uma praça linear, onde as pessoas podem parar, escolher uma cadeira de um restaurante ou de uma bar, tomar um café e ler o jornal sem serem incomodadas pelo barulho dos veículos, podem olhar os passantes ou conversar tranquilamente. Nesses casos, a rua reassume a sua função urbana inicial como lugar democrático de encontro e de socialização, que foi reduzido à praça, após a invenção do automóvel.
Infelizmente, a maior parte das praças de Maringá, no meio de rotatórias, pouco se prestam à socialização. São praças pouco acessíveis, ilhadas em meio ao tráfego, feitas para se olhar quando se circula de carro.
No Brasil, o Lerner introduziu a idéia do calçadão quando fechou a XV de Novembro. Criticado e elogiado, muitas grandes cidades copiaram o modelo, e a idéia se mostrou uma solução interessante para centros degradados. Os mais diversos usos foram dados para estes espaços, dependendo do tipo de atividade que se desenvolvia nas edificaçoes lindeiras. Espaço cultural, de lazer, de feira, de gastronomia, de negócios, de circulação ou tudo isto junto, em revezamento ou simultaneamente.
Voltando às calçadas de Maringá, se existe aí uma demanda de ocupação do passeio pelos comerciantes, (o que pode ser uma reivindicação justa), sugiro que se negocie o fechamento da rua aos veículos, para que os pedestres possam também usufruir da cidade com segurança (o que é certamente uma reivindicação igualmente justa). Deste modo, pode-se resolver dois problemas de uma só vez: desestimula-se o transporte particular poluente e devolve-se à rua seu caráter democrático e urbano.

Marcadores: cidadania, Maringá, Patrimônio histórico de Maringá, saúde urbana, Segurança pública

Iphone e forno micro-ondas
sábado, junho 30, 2007 1:47:00 PM
Na França, o Centro de pesquisa et d’informação independente sobre a irradiação eletromagnética (CRIIREM) alerta os consumidores contra os celulares GMS/WiFi. Um tipo de aparelho que se esta ficando cada vez mais popular porque ele oferece a possibilidade de se comunicar pela via celular ou pela telefonia IP.
Segundo o CRIIREM, estes aparelhos são perigosos porque emitem uma irradiação muito mais forte que o celular convencional GSM. De 900 ou 1800 MHz previsto pela norma GSM, se passa à 2100 MHz no modo WiFi. Um forno microondas utiliza 2450 MHz.
O organismo indica que de acordo com a sensibilidade dos indivíduos, alguns podem sentir sensações de calor, pulsações cranianas, cansaço, migraine ou insônia.
De fato, o recém lançado IPhone também trabalha com a tecnologia WiFi. Será que entre todas as suas funções, ele permite também ferver a água para o chimarrão?
A notícia saiu no
Carnet Techno da
Radio Canada.
Marcadores: Ciência e tecnologia, saúde urbana

Igualdade social e saúde
domingo, junho 24, 2007 3:34:00 PM
Um dos modos pelos quais a desigualdade afeta a saúde parece ser pelo seu papel destrutivo da sociedade. A desigualdade erode a coesão social, como demonstra o alto nível de desconfiança da população na ordem pública e a baixa participação em organizações cívicas. Este dois fatores são centrais numa sociedade democrática.
A perda de coesão social se reflete em baixa participação na atividade política, o que desestimula o interesse na participação nas ações sociais desenvolvidas pelo poder público, mesmo aquelas voltadas à população mais carente. A coesão social é considerada como um tipo de « capital social» (o termo capital é questionável), indispensável ao sentimento de segurança e de bem estar dos indivíduos.
Mesmo em sociedades ricas, a falta de capital social gera um sentimento de desconfiança interpessoal, que produz o isolamento e o encastelamento dos indivíduos como estratégia de compensação (Kawachi e Kennedy, 1997).
Além da participação política e da abertura das habitações, é possível medir a riqueza do capital social de uma comunidade pelos dispositivos de segurança que ela constrói em torno das propriedades. Muros, cercas elétricas, guaritas, porteiros, vigias, cães de guarda refletem um alto nível de desigualdade e um baixíssimo capital social, o que exprime, em síntese, uma qualidade de vida degradada. Mais isolamento, maior stress, menos saúde física, mental e social.
Mesmo os condomínios fechados, onde não existem muros entre as moradias, mas existem muralhas ao redor do conjunto, refletem a baixa qualidade de vida. Também nos bairros pobres, onde existe uma relativa homogeneidade de renda, a desigualdade e o individualismo são espacializados, ainda que em menor escala, copiando o modelo das pelas classes ricas, imposto pela ordem social desigual. Enfim, um sistema que estimula a competição, a desigualdade e a concentração de renda, todos perdem, mesmo os que se sentem vencedores.
Marcadores: igualdade social, Qualidade de vida, saúde urbana
