quarta-feira, outubro 14, 2009 12:52:00 PM
O relatório encomendado pelo governo britânico ao economista Nicholas Stern e publicado em 2006 estima o custo da prevençao do aquecimento climático até 1% (revisto em 2007 à 2%) do PIB mundial e o custo da negligência entre 5 a mais de 20% do PIB mundial, prejudicando mais duramente a economia dos países pobres.
"As provas científicas são presentemente esmagadoras: as alterações climáticas são uma grave ameaça global, que exige uma resposta global urgente.
Este Estudo analisou uma ampla série de provas relativamente aos impactos das alterações climáticas e dos custos econômicos, tendo utilizado um número de técnicas diferentes para analisar os custos e os riscos. Partindo de todas estas perspectivas, as provas colhidas pelo Estudo levam a uma simples conclusão: os benefícios de uma acção rigorosa e antecipada ultrapassam de longe os custos económicos da falta de acção." Continue
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Marcadores: Aquecimento climático, Relatório Stern

3,3 mm por ano
terça-feira, setembro 02, 2008 10:18:00 AM
É este o ritmo de elevação do nível do mar. Isto significa 33 cm em um século se conseguirmos reduzir as emissoes dos gases de efeitos estufa para evitar a aceleração do degelo das geleiras continentais da Groenlândia e Antartida.
No entanto, as últimas fotos de satélite da calota do Artico mostram que um novo recorde de redução da camada de gelo poderá ser atingido em setembro. Isto significa que o complexo mecanismo de homeostasia não está conseguindo absorver o impacto do aquecimento. Mesmo com o aumento de evaporação e de precipitação, o crescimento mais rápido das plantas para absorver o carbono e mesmo a mortandade na fauna marinha, não estão sendo suficientes para sequestrar o carbono e estabilisar o sistema.
Os 33 cm de inundação, irreversível à curto prazo, ainda é o melhor cenário que podemos esperar até 2100. O cenário mais provável estima uma elevação acima deste nível, cujo efeito será severo na maior parte das cidades litorâneas do Brasil e do Mundo.
Marcadores: Aquecimento climático, Elevação do nível do mar

Aumento mundial de precipitações
sexta-feira, agosto 08, 2008 10:28:00 AM

A notícia está em quase todos os jornais: o aquecimento climático aumentou a pluviosidade em todo o mundo. A pesquisa feita por climatologistas britânicos e americanos (Brian Soden, da Universidade de Miami e Richard Allan da Universidade de Reading) se baseiam em 20 anos de observações de satélites e em modelos climáticos informáticos.
Parece obvio que um aumento de energia na atmosfera implica numa aceleração da dinâmica climática, no entanto, várias dúvidas persistem. Esta aceleração constitui um mecanismo natural de contenção do aquecimento ou uma pequena amostra do que nos espera? Num cenário de super-aquecimento, digamos de 6 graus Celsius, quais seriam os impactos sobre a pluviosidade global? Estes impactos seriam estabilizados em qual nível?
Marcadores: Alteração de ritmo climático, Aquecimento climático, Aumento de precipitações

Surpresa ruim
sexta-feira, abril 25, 2008 3:36:00 PM
O Canadá e os EUA assinaram o Protocolo de Quioto mas não o ratificaram. O protocolo estabelecia o objetivo de baixar as emissoes de CO2 até os níveis de emissão de 1980. Como a economia do Canada é extremamente ligada à economia dos EUA,, seria lógico que se eles baixassem, o Canada teria que fazer o mesmo, querendo ou não.
O EUA não o fizeram e o Canadá, em lugar de baixar as emissoes, aumentou-as em mais de 30% em ritmo acelerado desde o início da exploração das jazidas de areia betuminosa para extrair petróleo. Este tipo de jazida, que há alguns anos era econômicamente inviável, está enriquecendo a província de origem do primeiro ministro de direita, Stephen Harper, que insiste em objetivos nao obrigatórios para os protocolos de diminuição de emissoes de carbono.
Na ocasião do primeiro protocolo, uma das estatégias visadas para diminuir as emissoes focalizava o manejo das extensas florestas de coníferas canadenses e o reflorestamento de áreas degradadas. Porém, segundo pesquisas, estas florestas se mostraram pouco eficientes na captura do carbono por causa dos incêndios naturais, que fazem parte da ecologia destes biomas.
Na semana passada, uma recente pesquisa foi anunciada na
Radio-Canada concluindo que as florestas de coniferas tem poluído tanto quanto os carros. Com o aquecimento climático as florestas temperadas se tornaram uma presa fácil par a infestação de pragas. Mesmo que se consiga evitar os incêndios naturais que ocorrem todos os anos, a morte das arvores emite tanto carbono quanto todos os carros em circulação no Canadá.
Um resumo da pesquisa pode ser lido na edição de 24 de abril, da
Nature.
Marcadores: Aquecimento climático, Corrupção, Sequestro de carbono

A desigualdade, a fome e a crise ambiental
segunda-feira, abril 14, 2008 10:36:00 AM
A crise alimentar provocada pelo aumento dos preços dos cereais tem várias causas.
Uma delas é, sem dúvida, a demanda de agrocombustíveis que, apesar da já provada ineficácia contra as emissoes dos gases de efeito estufa, continua sendo uma das opçoes energéticas buscadas pelos países ricos e emergentes.
Uma segunda causa é a abertura do regime chinês e a formação de uma classe média equivalente à americana, buscando atingir o mesmo padrão de consumo, incluindo uma alimentação rica em proteína animal, ou seja, carne e laticínios. Para atender à esta demanda, o aumento da produção animal exige um aumento de produção de ração, aumento do preço sobre os cereais que entram na sua composição e aumento de área agrícola voltada à este setor.
A terceira causa é a crise da produção agrícola causada pelo aquecimento climático. A seca que assolou a Austrália em 2007, diminui a oferta mundial de trigo. Os países asiáticos, grandes produtores de arroz, foram prejudicados pelas cheias que baixaram a produção à níveis críticos. Finalmente, a quarta causa são os especuladores do mercado de cereais, que fizeram disparar os preços por causa da perspectiva de baixa de produtividade, buscando lucrar rapidamente com a carestia de produtos alimentares de base.
Os países com pouca autonomia agrícola são os mais ameaçados e é entre os pobres dos países mais pobres, como o Haiti, o Egito e a Nigéria, que a crise se faz sentir de forma mais acentuada.
No Brasil, são os pobres do nordeste brasileiros que são ameaçados mais seriamente. Aqui, a crise alimentar somada à euforia do agrocombustível de cana, pressiona as fronteiras agrícolas sobre o frágil território da Amazônia, agravando a crise ambiental mundial.
O Ronco da Cuíca
Autores: João Bosco & Aldir Blanc
Roncou, roncou,roncou de raiva a cuíca,
roncou de fome
...alguém mandou,
mandou parar. - A cuíca é coisa dos home.
A raiva dá pra parar, pra interromper.
A fome não dá pra interromper.
A fome e a raiva é coisa dos home.
A fome tem que ter raiva pra interromper.
A raiva é a fome de interromper.
A fome e a raiva é coisa dos home,
é coisa dos home,
é coisa dos home,
a raiva e a fome
mexendo a cuíca
vai ter que roncar.
Marcadores: agrocombustíveis, Aquecimento climático, Crise alimentar mundial

segunda-feira, janeiro 14, 2008 2:10:00 PM
Mesmo na mais quente das eras interglaciares dos últimos 91 milhoes de anos, a calota polar Antártica nunca desapareceu completamente. É o que afirmam os pesquisadores do Scripps Institution of Oceanography. Veja o comunicado à imprensa
aqui.
Mesmo quando a temperatura média global do planeta esteve 10 graus Celsius acima da temperatura atual, durante o período Cretáceo (-145,5 à -65,5 milhoes de anos) a calota polar Antartica nunca se reduziu abaixo de 60% do que tem sido nos últimos 200 séculos.
Os autores salientam que os dados nao permitem prever o que acontecerá se o aquecimento atual continuar até este extremo ou além. Mesmo se a calota não desaperecer completamente, podemos esperar um risco de elevação dos mares de 45 à 60 metros, para temperaturas até 10C, o que não deixa de ser extremamanente catastrófico, sobretudo por causa da aceleração do aquecimento em um curtíssimo período de tempo, dentro da escala geológica.
Marcadores: Antártida, Aquecimento climático, Biodiversidade, Calotas polares

12000 novas árvores em Montreal
quarta-feira, janeiro 09, 2008 4:11:00 PM
O resultado é de 2007, e faz parte de um acordo firmado com a Secretaria da diversidade biológica das Naçoes Unidas, cuja sede é em Montréal. A notícia saiu no jornal Metro desta cidade.
No total, são 10000 arbustos e 12000 árvores. Uma empresa privada de telefonia, a Telus, doou $1 milhão de dolares repartidos em três anos para o projeto Montréal verde. A ONG SOVERDI (Sociedade de reflorestamento de Montreal metropolitano), parceira da prefeitura, se concentra sobre as ilhas de calor. Com a ajuda de fotos infravermelho por satélite, localizou-se as áreas quentes e áridas da cidade onde a diferença de temperatura pode chegar à 12C.
Além do plantio de árvores, o projeto inclui estratégias como o plantio de trepadeiras para cobrir fachadas de edifícios públicos e o estímulo à prática do teto verde.
A preocupação com as ilhas de calor pode parecer estranha numa cidade situada sob o clima sub-artico, no entanto, as temperaturas de verão podem chegar aos 35C. Esta temperatura, somada à umidade do ar, ao smog e ao efeito ilha de calor torna certos setores da cidade insuportáveis, até para quem odeia o inverno e acha que o aquecimento climático não é uma má notícia.
Marcadores: agir local, Aquecimento climático, Ilhas de calor, reflorestamento urbano

domingo, janeiro 06, 2008 9:12:00 PM
Até hoje supunha-se que a hegemonia dos dinossauros sobre a terra tivesse terminado à partir da queda de um meteorito no Golfo do México que poluiu a atmosfera por milhares de anos e mudou o clima do planeta. Pois uma nova hipótese aponta os insetos como os verdadeiros agentes da extinção dos répteis.
Várias provas contradizem a hipótese do meteoro. A primeira é a existência de fósseis de dinossauros datados de milhares de anos a pós a queda do meteoro. Outra é a aparecimento das plantas com flores durante o período de crise da espécie dos répteis. A expansão das plantas com flor está também associada à proliferação e especialização dos insetos.
Em lugar de uma mudança abrupta de alguns graus na média climática causada pela queda do meteoro no fim do Triássico, seriam epidemias de malária, leishmaniose e disenteria que puseram fim aos nossos ancestrais gigantes no fim do Cretáceo.
É possível que todas estas evidências estejam encadeadas, a mudança do clima, a extinção de muitas espécies frágeis, a especialização das plantas, a proliferação dos insetos, as epidemias e a extinção massiva dos dinossauros. O mesmo fenômeno parece se repetir hoje com o avanço de vetores de doenças infecciosas tropicais sobre áreas subtropicais, por causa da mudança climática.
Marcadores: Aquecimento climático, evolução, extinção em massa

quinta-feira, dezembro 20, 2007 9:35:00 PM
Vídeo com Jean Lemire, em francês legendado em inglês, produzido pela Rádio Canada, expondo imagens belas e assustadoras dos efeitos do aquecimento sobre a parte canadense do Ártico. O derretimento do pergelissolo, o fim da baquisa previsto para 2012, o sofrimento da fauna e o drama vivido pelas comunidades autoctones num cenário em rápida transformação.
Clique no titulo do post para ver o vídeo.
Marcadores: Aquecimento climático, Artico

O fracasso da Conferência de Bali
segunda-feira, dezembro 17, 2007 4:35:00 PM
Depois de mais de uma semana de discussões, a aprovação do segundo Protocolo de Quioto (Kyoto II) esbarrou na resistência dos Estados Unidos, da Nova Zelândia, do Japão e do Canadá.
Se o argumento de Bush contra a participação americana das medidas previstas pelo protocolo era a isenção de obrigações sobre os países pobres como a Índia, a China e o Brasil, este argumento não existe mais. Os governos destes países, onde cada habitante não chega à emitir 10% do que emite um americano por ano, aceitaram colaborar com estratégias visando a diminuiçao das emissões. Mesmo assim, Bush se recusou a mudar o
american way of life. É decepcionante mas a oposição ao protocolo está concentrada em alguns países ricos, que recusam a se solidarizar com o resto do planeta e a reconhecer que, continuando com esta política, estão roubando dos outros países o direito ao desenvolvimento, especialmente dos países mais pobres.
A conferência não tem caráter deliberativo, ou seja, a maioria não pode impôr seu ponto de vista sobre à minoria por causa do princípio de soberania dos estados membros da ONU. Porém, a resistência em adotar medidas restritivas afim de baixar as emissões dos gases de efeito estufa já custou a reeleição do ex-presidente da Austrália e, esperamos, custará a do candidato do partido republicano nos EUA e a de Stephen Harper, do partido conservador no Canadá.
É na escolha do candidato local que podemos influenciar o destino do mundo. Por isso, não votar em candidatos que não tenham um plano contra a emissão dos gases de efeito estufa é uma parte importante do que podemos fazer localmente, pensando globalmente.
As ONGs, como o Greenpeace, a WWF, a Equiterre e o Sierra Clube, assim como organismos científicos como o IPCC, mesmo não tendo poder de voto nestas conferências, são convidadas à expor dados, argumentos e conclusões necessários à lucidez do debate. No fundo, a discussão parece ser a mesma inciada por Platão há mais de 20 séculos sobre "o que é o bem?" Uma ética da cooperação pelo bem mundial é possível num mundo néo-libéral que promove a competição entre Estados, entre empresas, entre cidadãos? Qual é o mundo que queremos para nós mesmos e para os nossos descendentes?
Marcadores: Aquecimento climático, Conferência de Bali, Corrupção, Desigualdade mundial

quarta-feira, novembro 07, 2007 12:37:00 PM

O
GIEC - Grupo Intergovernamental de Experts em Mudanças Climáticas, no melhor dos cenários, estima um acréscimo de 2,4C à temperatura média planetária se as emissoes se estabilizarem em 2015 e, à partir daí, começarem à diminuir. Diferentemente do GIEC, a
AIE Agência Internacional de Energia, estima que, no ritmo atual e no melhor dos cenários, a emissoes não se estabilizarão antes de 2030 e isto implica num acréscimo de, no mínimo, 3C.
Se este é o cenário mais otimista, qual é o ponto de retorno? Em 2002, alguns cientistas diziam que um acrescimo de 2C seria perigoso, pois vários efeitos se densencadeariam aumentando as emissoes e a absorção de calor da superfície terrestre e da atmosfera, e que atingido este limite, nenhuma ação humana poderia evitar a aceleração do aquecimento climático global. Outros estimam que o ponto de não retorno já foi ultrapassado e que estamos na fase de aceleração do aquecimento, potencializado pelo aumento das emissoes naturais, disparadas pelo degelo dos extensos solos de turfa das regioes árticas e pela conversão dos oceanos de captores à emissores de CO2.
Se o ponto de não retorno foi atingido, qual sera o limite de estabilização da temperatura? O astrofísico
Hubert Reeves, no seu Mal da Terra (2004), descrevia três cenários possíveis para o planeta. O primeiro, Deserto, era o mais otimista, supondo que as emissoes voltariam ao estipulado pelo Protocolo de Quioto, o que provocaria apenas uma desertificaçao de extensas áreas tropicais, com temperaturas entre 45 e 55C, e, em compensação, permitiria o cultivo de áreas boreais. O segundo, Geiser,com temperaturas de 70 à 120C, estimava a extinção de todas as espécies complexas, inclusiva a humana, e a volta à fase inicial da formaçao da vida na Terra. O terceiro cenário, Vênus, estimava a estabilização da temperatura terrestre em torno de 400C, que é a temperatura média do nosso planeta vizinho, causada por um intenso efeito estufa, onde nehuma forma de vida é possível.
Poucos cientistas se arriscam à expor cenários tao catastróficos como estes e Reeves, um velhinho de 1,50m, longas barbas brancas, uma voz cômica e sotaque do cantão do leste do Quebec, parece brincar de Cassandra com seu poder de influência e seu respeitável Curriculum Vitae. Se alguns avaliam suas previsoes com ceticismo por causa da idade, outros acham que ele fala claramente porque ja não tem mais nada à perder e, nessa altura da vida, prestigio é o último dos seus interesses.
À cada dia, grupos de pesquisadores de organismos importantes substituem estimativas à longo prazo, por estimativas à curto e à muito curto prazo. Os cenários proféticos de Reeves parecem cada vez mais próximos e reais.
Marcadores: AIE, Aquecimento climático, GIEC, Protocolo de Quioto

O nono erro de Al Gore
quinta-feira, outubro 25, 2007 7:26:00 PM

Além dos deputados e jornalistas americanos que acusavam Gore de estar fazendo uma formidável propaganda contra o capitalismo, e uma campanha eleitoral muito bem planejada, também um juiz resolveu dar o seu parecer sobre o filme
Uma Verdade Inconveniente.
O juiz apontou 8 erros no filme de Al Gore e depois juntou mais um, para completar os 9. Poderia ter apontado a incoerência do Nobel que consome 225000kw por ano, mas apontou a afirmação de que o descongelamento da Groenlândia e da Antártida iriam elevar o nível do mar em 20 pés, (6 metros). O juíz diz que a afirmação de Gore é "distintamente alarmista". A matéria está
aqui, em inglês.
Hoje, o alarme é dado por um grupo de
pesquisadores canadenses e americanos, que antecipam em 30 anos o descongelamento completo da calota do Ártico durante o verão, ou seja, em vez de 2040, podemos prever uma rota marítima permanente no polo norte à partir de 2010.
Se existe quem defenda a "economia de combustível" no transporte marítimo pelo pólo como fator favorável à sustentabilidade, o descongelamento da calota no Ártico significa menor refletância dos raios solares pois a brancura do gelo (albedo), é substituída pela cor escura do mar. Ora, a água, em lugar de refletir a luz, absorve-a, se aquece e se expande. O aumento da temperatura do mar, por sua vez, aquece o ar e este aquece a camada de 2km de gelo que cobre a Groenlândia. O volume enorme de água dos glaciares do territórion finlandês poderá deseregular completamente as correntes marinhas. Prevê-se que esta desregulação causará um resfriamento do Norte da Europa e um aquecimento do mar Austral,que circunda a Antártida. Isto aumentará a velocidade de descongelamento da banquisa, de aquecimento do mar, repetindo o mesmo processo no polo sul.
O último erro de Al Gore, infelizmente, não é um erro, nem uma jogada política, nem um complô contra o capitalismo. O grupo de cientistas estima em 6 metros o volume acrescentado ao mar apenas pelo degêlo da Groenlândia. O descongelamento completo da camada de gêlo que cobre o continente Antártico aumentará o nível do mar em até 100 metros. O descongelamento da calota do Ártico ou da banquisa Antartida têm pouca influência no nível marítimo, pois se trata de água do próprio mar, e não de glaciares.
Ainda é cedo para prever precisamente quando a elevação do mar estará concluída, mas na velocidade em que as previsoes estão se antecipando, sem nenhuma diminuição global dos gases de efeito estufa, sem nenhuma outra alternativa energética não poluente, podemos pensar que 2100 não será muito cedo.
Veja
aqui se a sua casa de praia está na cota de alagamento.
Marcadores: Al Gore, Aquecimento climático, Aumento do nível do mar, Corrupção

Oceanos perdem sua capacidade de absorver CO2
segunda-feira, outubro 22, 2007 5:11:00 PM

A
notícia saiu na
Radio-Canada com base num artigo publicado pela Universidade de East Anglia, cujo resumo para a imprensa pode ser lido
aqui.
Já haviamos divulgado um
artigo similar da mesma universidade que apontava a baixa de capacidade de absorção no oceano Austral. Agora o fenômeno foi confirmado desde o Atlântico Norte até as Antilhas.
Os oceanos povoados de microorganismos, que são a base da cadeia alimentar marinha, serviam como agente retardador do aumento da concentração de carbono na atmosfera desde o início da Revolução Industrial. A ação destes microorganismos equilibrava as emissões humanas e naturais, como as derivadas da produção agrícola ou de um vulcão, e regulava o aquecimento planetário. Com o desequilíbrio do ecossistema marinho e a diminuição da sua capacidade de absorver o gás carbônico presente na atmosfera, a concentração deste gás aumentará mais rapidamente que o previsto. A aceleração provocará um desequilíbrio ainda maior dos oceanos e uma diminuição da capacidade de regeneração de todo o ecossistema. É o que chamamos de efeito dominó, que ocorre após a ultrapassagem do limite de retorno, alertado desde 2000.
Não é possível prever em qual temperatura o clima irá se estabilisar, mas o
IPCC, no
capítulo 10 do Relatório 2007, já traça cenários inéditos para 2100 com temperaturas médias aumentadas de até 8 Celsius nas regiões árticas, o que pode significar eventos cada vez mais extremos.
Sem querer ser catastrofista, a coisa está ficando cada vez mais séria, e à muito curto prazo. A temporada de furacões deste ano ainda não provocou danos na costa no mar das Caraíbas, mas o vento quente espalha um incêndio fenomenal na Califórnia, queimando casas de ilustres atores hollywoodianos. (Veja Mike Davis (2000) Ecologia do medo).
Aqui em Montréal, onde a temperatura deveria estar entre
3 e 12 Celsius, há uma semana esta entre 12 e 24C positivos. Mesmo quem estava achando ótimo poder relaxar nos terraços em outubro está ficando assustado.
Se as cores permanecem mais tempo durante o ano, esta ilusão de vida significa um desequilíbrio global irreversível e muito, muito trabalho pela frente, se quisermos diminuir o sofrimento das gerações futuras... ou Halloween não será mais um dia de festa no calendário, com crianças vestidas de zumbis, esqueletos e bruxas marcando a substituição das belas cores de outono pelo cinza do inverno.
Marcadores: Aquecimento climático, papel dos oceanos, Sequestro de carbono

Distúrbio significativo no índice de precipitações
terça-feira, julho 24, 2007 12:15:00 PM
Uma equipe internacional de pesquisadores, da qual fazem parte os especialistas da Environnement Canada, mostra pela primeira vez a influência das atividades humanas sobre a evolução das precipitações no Século XX.
"A ação humana contribui de maneira significativa para o aumento observado de precipitações nas latitudes médias do hemisfério Norte, para uma diminuição de chuvas nas zonas tropicais e subtropicais deste hemisfério e, ao contrário, para o aumento da umidade nas regiões tropicais e sub-tropicais no hemisfério Sul", concluem os pesquisadores.
No total, o volume de precipitações aumentou de 10% nas regiões nórdicas. O estudo mostra também que as mudanças reais são não somente conforme o modelizado por computador, mas que elas são produzidas muito mais rapidamente que o previsto.
"As mudanças observadas, que são maiores que as mudanças estimadas à partir des simulações, talvez já exerçam efeitos significativos sobre os ecossistemas, sobre a agricultura e sobre a saúde humana", diz o relatório.
Os cientistas trabalharam com 14 modelisações climáticas e analisaram as precipitações reais dentro da região situada entre os paralelos 40 Sul e 70 Norte nos períodos de 1925-1999 e 1950-1999.
O estudo deverá ser publicado nesta semana na revista Nature. Esta nota está publicada na
Radio Canada.
A pesquisa parece concordar com a tese de André Geraldo Berezuk (2007), apontando alterações no ritmo climático do Norte Paranaense e Oeste Paulista, no entanto, a tese trata apenas de três anos, 1997, 1998 e 2001. É necessário confirmar se houve aumento significativo da média anual de precipitações e alteração de ritmo num período mais longo, verificar os impactos ecológicos destas alterações e prever impactos futuros.
O aquecimento climático e o aumento da taxa de pluviosidade podem ser aparentemente benéficos à agricultura pois aumentam o metabolismo e a produtividade de culturas de verão. Por outro lado, elas podem explicar em parte o avanço da dengue no Paraná em direção aos municípios do sul, além de favorecer o aparecimento de novas pragas agrícolas como a de gafanhotos. Além disso, a alteração do ritmo mostra uma instabilidade preocupante da variação climática e um risco crescente para a agricultura, mesmo para as culturas de verão, dado a irregularidade ritmica de fenômenos adversos, tais como vendavais, enchentes, granizo e geada, contra os quais as medidas preventivas de efeito exclusivamente local parecem pouco eficazes e/ou muito dispendiosas.
A única alternativa viável ainda é a concertação global contra as emissões de gazes de efeito estufa. Porém, seus resultados não serão percebidos que à longo prazo. Mesmo assim, é urgente começar.
Marcadores: Aquecimento climático, Ateração de ritmo climático, Aumento de precipitações

A África gritará de fome, e a América do Sul?
segunda-feira, julho 02, 2007 3:11:00 PM
Peritos em climatologia, reunidos durante um importante colóquio na Suécia, chegaram à conclusão de que o superconsumismo dos países ricos provocará a diminuição de 50% da produção alimentar da África dentro de 20 anos. O Fórum reúne todos os anos mais de 500 cientistas, políticos e responsáveis de ONGs, onde eles discutem questões relativas ao ambiente.
O modo de vida dos ocidentais implica no risco de mergulhar o continente numa crise alimentar sem precedentes. Aumentado sempre suas necessidades de comida, o ocidente estimula mais e mais a exploração dos recursos naturais e contribui com a diminuição constante da floresta na África Sub-saariana, acelerando assim a desertificação e o risco de fome numa região castigada por sêcas cada vez mais frequentes.
Tarde demais para o planeta?
Um especialista em climatologia da NASA, James Hansen, explicou que a diminuição das florestas junto com o derretimento dos glaciares representam não apenas uma consequência do aquecimento climático, mas um fator acelerador do processo.
Os experts alertam sobre a necessidade urgente de ações contra o aquecimento climático. Eles utilisam mesmo esta previsão alarmista. Segundo os cientistas, se nada for feito, dentro de 10 anos será tarde demais.
O risco de demolição social é iminente, diz Johan Rockstroem, diretor de Instituto do ambiente de Estocolmo. Também M. Hansen recomenda às Nações Unidas de impôr fortes sanções financeiras aos países que continuam aumentando suas emissões de gases de efeito estufa.
A
matéria saiu na Radio Canada.
Na minha opinião, ainda que a situação no Brasil não seja tão extrema quando na África, o processo parece ser similar. A cultura da soja, voltada à exportação e à alimentação do gado dos países ricos, já destrui grande parte do cerrado e avança sobre a floresta amazônica.
No Paraná, a cultura da cana-de-açúcar para o produção do etanol devora os últimos fragmentos da Mata Atlântica do Terceiro Planalto e as áreas de preservação dos cursos de água, além de criar imensos desertos verdes onde só se produz um tipo de vegetal.
O aquecimento climático poderá ampliar a zona climática do cerrado em direção ao sul, alterando a distribuição das chuvas, aumentando a temperatura média alta e provocando problemas similares aos dos países africanos como a desertificação, a fome e o aparecimento de doenças tropicais inéditas geradas pelo desequilíbrio ecológico.
Como previu Warren Dean, o deserto dos Pampas que cobre o norte da Argentina e o interior do Rio Grande do Sul poderá se espalhar sobre a região do Arenito Caiuá, transformando definitivamente em zona árida e infértil toda a região anteriormente ocupada pela floresta.
Marcadores: Aquecimento climático, Contradição Norte-Sul, Desenvolvimento sustentável

Dossiê do Protocolo de Quioto
sexta-feira, junho 08, 2007 11:11:00 PM

Entre os vários documentos que a Radio Canada publica, este sobre o
Protocolo de Quioto é bastante
interessante. A página de introdução começa com uma frase do astrofísico Hubert Reeves:
"Em algumas dezenas de anos, chegamos à ameaçar a vida à tal ponto que se pode perguntar se existirão ainda seres humanos em 100 anos"
A influência da atividade humana sobre as mudanças climáticas é agora amplamenente reconhecida. Mesmo a administração Bush terminou por admití-lo. Mais ainda resistem desacordos flagrantes quanto aos meios de lutar contra o aquecimento e quanto à urgência de agir.
Os experts da ONU soam o alarme: o planeta esquenta e o ser humano é o grande responsável. No relatório de janeiro de 2007, os cientistas do GIEC - Grupo Inter governamental sobre as mudanças climáticas (ou IPCC - Intergovernmental Panel on Climate Change) prevêm um aquecimento entre 2 e 4,5 C até o fim do século. O Ártico devera estar entre as regioes mais duramente afetadas por este aumento de temeperatura.
Marcadores: Aquecimento climático, Protocolo de Quioto
