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Murais Maringaenses

quarta-feira, junho 10, 2009 12:00:00 AM


O vocábulo paisagem é de raiz germânico, sendo utilizado primeiramente pelos holandeses, em finais do século XV. Na Inglaterra o termo descreve a representação pictórica do campo e na Itália a palavra paesaggio (1521) aparece relacionada com as obras flamengas, comercializadas na Itália e que representavam a natureza. Hoje é aceito que a paisagem é um espaço geográfico representado através dos códigos artísticos, na qual a dimensão subjetiva é peça fundamental. (Ver Maria de BOLOS I CAPDEVILA. Manual de ciência del paisaje. Barcelona: Masson, 1992.)
Pois bem, o motivo que nos leva a escrever estes parágrafos está relacionado com as matérias que O Diário Norte do Paraná vem apresentando a respeito dos murais de Maringá.
Sem dúvidas um tema oportuno e muito bem elaborado pelo Jornalista Fábio Massalli, uma vez que as paisagens de Maringá aparecem expostas nesses murais. Sendo que, em 1993, o Poder Legislativo Municipal de Maringá, através da Lei de número 3.478/93, de autoria do Vereador Sr. Oscar Batista de Oliveira, autorizou o Poder Executivo, para proceder a Tombamento de mural em cerâmica, contendo paisagem que retrata a colheita do café. (O Diario Norte do Paraná, Quinta-feira, 04 de junho de 2009, p. 18)
Esse mural se encontra instalado na edificação localizada na data 09, da quadra 17, da zona central, Avenida Getúlio Vargas nº255, no qual já funcionará a “Lanchonete Pingo do Ouro”, sendo inicialmente ocupado pelo estabelecimento conhecido como “Bar do Américo“. Atualmente funciona uma loja de venda de produtos de “1,99”.
Na justificativa apresentada para o tombamento do referido Mural, o autor do Projeto de Lei alegava que: “... magistral a importância do café para a ocupação e o povoamento de Maringá e também para a economia do município. Natural, então, a reprodução em obras de arte desse ciclo importante da agricultura paranaense e que proporcionou o surgimento de grandes cidades como Maringá. Tais obras hoje despontam não só como um grande valor histórico-cultural elevado, mas com um significado emocional muito especial, pois reavivam na memória da gente maringaense o cotidiano de um passado não muito distante”
E ainda, na justificativa do projeto de lei se destacava que:“[...] em defesa da história e das gerações futuras, indispensável que o Município, valendo-se de suas prerrogativas institucionais, atue no sentido de preservar e fazer preservar essa obra de arte, extremamente bem concebida, que registra os primórdios da colonização marinagaense enaltecendo o cultivo do café, ciclo dos mais importante de nossa agricultura, que reconhecidamente, colaborou para o engrandecimento da economia paranaense e o progressos de nossa terra”.
O artista autor do Mural “alegoria do café” foi o senhor Valdemar Moral, falecido na cidade de São Paulo em 1988. Ele elaborou as peças, que integram o Mural, no seu atelier localizado na Rua Dioniso da Costa, número 277, Vila Mariana São Paulo, em meados dos anos de 1950.
Porém, transcorridos dezesseis anos da aprovação da referida lei municipal, nada fora realizado para fins de dar cumprimento ao objetivo desta, qual é o Tombamento do Mural e sua preservação como paisagem.
Discutir qual o valor histórico e cultural do mural “alegoria do café” não parece oportuno, uma vez que as próprias justificativas do projeto de lei e a beleza cênica nele representada são prova cabal. Permanecem atuais e se refere á paisagem da natureza transformada pelo homem, associada de forma indissolúvel com a história da ocupação do território local.
Restando somente debater quais os procedimentos para efetivação da vontade do legislador, uma vez que a deterioração através do uso conflitante no qual está implantado, em nada contribui para sua preservação, observação e contemplação da paisagem.
Nesse sentido destacamos que o tombamento do mural “alegoria do café” deve ser Integral. Que a comissão do Patrimônio Histórico Municipal, deve, conforme suas atribuições, proceder na concretização do processo de tombamento.
O destino do Mural de Portalha, na Rua Lauro Werneck, foi uma caçamba de entulhos, uma paisagem destruída para sempre. Que este não seja o destino do Mural Alegoria do Café.
Escrito por: Jorge Guerra Villalobos. Coordenador do Observatório Ambiental. Universidade Estadual de Maringá. Jor. Angelo Rigon. Presidente Instituto Cultural Memória Paraná (ICMP)

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