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Nosologia da desigualdade

segunda-feira, setembro 08, 2008 1:40:00 PM

Durante muito tempo se pensou que um desenvolvimento que melhorasse o nível de vida dos mais pobres ao ponto de lhes permitir viver em condiçoes de saúde adequadas bastaria para igualizar a expectativa de vida sem mudar a desigualdade social. Desde 1996 Wilkinson (Unhealthy societies : the afflictions of inequality) demonstra que esta hipótese não é verdadeira.
Mesmo nos países ricos onde os pobres têm um nível de consumação material considerado saudável e todos têm acesso à um único sistema de saúde a expectativa de vida dos mais pobres continua sendo inferior à dos ricos. Mesmo tendo acesso às condiçoes sanitárias básicas, trabalho, alimentação adequada e um sistema de saúde eficientes, os pobres continuam mais doentes e morrem mais cedo. Porquê? A resposta nos envia à Hans Selye: o estresse causado pela diferença social afeta a qualidade de vida e longevidade dos mais pobres.
Alguns apontam este estresse como provocado por um tipo de "inveja" de uma diferença "natural" entre indivíduos, e os invejosos seriam responsáveis pela propria doença. Outros associam o stresse à um sentimento de injustiça derivado da desigualdade: assim uma sociedade com alto nível de vida seria mais longeva e saudável quanto maior fosse o sentimento de justiça e de igualdade encontrado entre seus membros.
A constatação de que a desigualdade socio-econômica é uma das causas das diferenças epidemiológicas mesmo onde existe uma igualdade no sistema de saúde não exclui a necessidade de infraestrutura sanitária, ao contrário, aponta exatamente para a ampliação do direito igual deste serviço para todos os outros serviços públicos. Neste sentido a constatação chama a atenção para um modelo de desenvolvimento social baseado na cooperação, diferente do modelo liberal de competição.
Se o aparelho estatal se mostrou ineficiente, pesado e opressor das liberdades individuais nas sociedades comunistas, a necessidade de um controle democrático da desigualdade como uma condição de desenvolvimento parece apontar para o reforço do Estado como regulador da distribuição da riqueza e um agente importante do estímulo à cooperação e à participação social.

Veja matéria da ONU sobre a desigualdade patogênica aqui.

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