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O papel da geografia a finais do século XX

sexta-feira, março 07, 2008 7:37:00 AM

As reflexões de Paul Claval, a respeito do papel da geografia a finais do século XX, permitem resgatar e avaliar os desafios ao fazer Ciência.
Claval, realiza uma crítica fundamentada numa visão de longo alcance, enriquecida pelo passado quanto pela leitura do presente e do futuro. No livro “A Nova Geografia” (1982), Paul Claval, provoca, desafia e insiste que os tempos obrigam a elaborar novas metodologias e incorporar novos instrumentos técnicos para explicar as relações entre a organização social e a ordem territorial.
Eis a seguir, alguns trechos, pinçados intencionalmente, com o objetivo de contribuir na reflexão a respeito do planejamento e gestão do território.

“Desde o fim do século XIX, os geógrafos estudam as relações entre o homem e o meio natural. Praticam a ecologia, se bem que o termo, já conhecido, seja apenas usado por uma minoria. De um local a outro, as relações entre o meio e os seres vivos variam, e os grupos humanos aumentam, pela ordenação do território, a diversidade natural. A geografia é muito sensível a estas diferenças. Apesar das regularidades do relevo, do clima e da civilização, cada região tem a sua própria originalidade, cada porção da Terra aparece como um objeto único. A aproximação científica é incapaz de apreender a infinita complexidade do real.
A geografia regional que nasce com Vidal de La Blache e se desenvolve com os seus discípulos é, ao mesmo tempo, uma disciplina científica e uma forma de humanismo: os que a praticam propõem uma meditação sobre a ação humana, os seus limites e os seus êxitos.
A geografia regional, assim estabelecida, é sensível aos temas do meio ambiente, da conservação, da implantação e do equilíbrio entre os homens e o meio; no entanto, não consegue responder ás dúvidas do mundo atual. È preciso ordenar o espaço, compreender a proliferação das grandes cidades, das acumulações industriais, das metrópoles ou das megalópoles.
Aqui é preciso lutar contra o subdesenvolvimento, ali contra o hiperdesenvolvimento, onde a multiplicação dos homens e das atividades provoca perigosas poluições.”
“A geografia praticada pelos mestres da disciplina no século XIX e no princípio do século XX é uma história natural da diferenciação regional da crosta terrestre: tem como missão fazer o inventário das paisagens cujas características e gênese descreve, tal como a sistemática procura, em botânica e zoologia. Esta geografia não ignora o homem, mas não o coloca no centro das suas preocupações.
Esta concepção de geografia limita o seu interesse: constata-se a organização da paisagem, narra-se a sua evolução; em alguns casos desemboca-se numa interpretação retrospectiva: é possível dizer como se formou este ou aquele conjunto morfológico, esta ou aquela estrutura agrária, esta ou aquela rede urbana, mas é-se incapaz de passar da reconstituição histórica à explicação lógica: o geógrafo está, portanto, desarmado quando é preciso aconselhar o homem de ação, escolher entre vários projetos ou tentar prever o futuro"(p.7-8) .
Assim, “para aprofundar o que estrutura as construções regionais é preciso interrogar o homem e a sociedade.” (p.15-16) [indagando a respeito] “do funcionamento do sistema social” e da sua eficiência territorial desde uma perspectiva antropocêntrica. (p. 155) .
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Fonte: A Nova Geografia. Paul Claval. Editora Livraria Almeida. Coimbra-Portugal, 1982.


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