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A expansão da Geografia quantitativa

segunda-feira, fevereiro 25, 2008 3:19:00 PM

Dos Estados Unidos, o movimento da Nova Geografia se transmitiu para a Grã-Bretanha, donde logo se publicaram alguns dos primeiros manuais universitários para o ensino da nova geografia. Em íntima relação com o mundo anglo-saxão se encontra o mundo escandinavo, donde Torsten Hägerstrand deu origem na Universidade de Lund, Suécia, a algumas das mais inovadoras contribuições que posso esprimir na nova geografia, tais como as teorias da difusão e os modelos de simulação de Montecarlo.
Em outros países o processo de transformação foi mais tardio. Na França, a concepção regional continuou dominando sem rupturas até fins da década de 60. Pouco depois de 1968, coincidindo com a crise da estrutura universitária francesa, começaram a escutar-se publicamente vozes de descontentamento com a geografia regional e com as idéias dominantes da escola francesa.
Os trabalhos informativos de Paul Claval e B. Marchand, a criação da revista L´ espace geographique por Roger Brunet em 1972, assim como outras iniciativas posteriores como a aparição do grupo Dupont, podem considerar-se feitos decisivos na difusão das novas idéias. Na Alemanha o processo é mais ou menos comtemporâneo, e o trabalho de Dietrich Bartels, Zur wissenschaft theoritischen grundlegung einer Geopraphie des Menschen, que tentava recriar a geografia como uma “ciência moderna positiva”, leva a data de 1968. Na Itália foram decisivos, sobretudo, os trabalhos de alguns economistas e, mais tarde, dos geógrafos de Turim, entre eles Giuseppe Dematteis.
Enquanto a Espanha, é também nos fins dessa década e princípios de 1970, quando começam a chegar as repercussões das correntes neopositivistas, as quais encontraram, como em outros países, uma rejeição decisiva por parte de prestigiados membros do corpo docente, resistência que quase nunca foi explicitamente justificada, e que seguramente deve-se interpretar em termos sociológico-institucional – além de psicoanalíticos.
Efetivamente, a difusão da nova geografia colocava em questão certo número de idéias comumente admitidas pela comunidade científica dos geógrafos, o que provocou uma autêntica guerra civil no interior da mesma. Os geógrafos formados na tradição historicista se encontraram, rapidamente, em uma posição incerta, numa situação que Peter J. Taylor qualificou afinadamente de esquizofrênica, duvidando entre abandonar a antiga ortodoxia e dedicar-se aos novos métodos, com o que permaneciam em desvantagem frente aos mais jovens; ou manter-se na concepção tradicional, fato que significava serem considerados de retrógrados por uns jovens que predicavam as novas idéias como o verdadeiro método científico e que, ainda, atacavam aspectos essenciais da velha teoria regional.
Esta esquizofrenia, que está vinculada a uma luta por poder no interior da comunidade, contribui a explicar a violência de algumas reações de rejeição, não somente por parte daqueles que se sentiam vulneráveis por serem conscientes da debilidade de seu pensamento, mas também por parte de prestigiados e respeitados geógrafos que podiam ter mantido heróicamente suas idéias sem com isso opor-se aos outros que exploravam caminhos alternativos.

Fonte: Notas da tradução ao capítulo XII “Neopositivismo y Geografía quantitativa”, de Horacio Capel. Filosofia y ciencia en la geografia contemporânea. Uma introducción a la Geografia. Editora Barcanova. Temas Universitários, Barcelona, 1981.Tradução de André Geraldo Berezuk e Jorge Ulises Guerra Villalobos


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