Factorama: http://factorama2.blogspot.com Publicação de divulgação científica em meio eletrônico.
Factorama

Atualizado diariamente - www.factorama.com.br - ISSN: 1808-818X

SACOS, SACOS, SACOS E MAIS SACOS... QUE SACO!

sábado, maio 26, 2007 11:18:00 AM


A farra dos sacos plásticos


De André Trigueiro: pós-graduado em meio ambiente, jornalista, redator eapresentador do Jornal das10, da Globonews, desde 1996.
"Creio que um dos primeiros presentes que recebi de meus sogros em Vienaforam 2 bolsas de algodão para ir ao Supermercado. Depois compreendi".Os supermercados,farmácias e boa parte do comércio varejista embalam emsaquinhos tudo o que passa pela caixa registradora. Não importa o tamanhodo produto que se tenha à mão, aguarde a sua vez porque ele será embaladonum saquinho plástico. O pior é que isso já foi incorporado na nossa rotinacomo algo normal, como se o destino de cada produto comprado fosse mesmo umsaco plástico.. Nossa dependência é tamanha que quando ele não estádisponível costumamos reagir com reclamações indignadas. Quem recusa aembalagem de plástico é considerado, no mínimo, exótico.Outro dia fui comprar lâminas de barbear numa farmácia e me deparei com umasituação curiosa: a caixinha com as lâminas cabia perfeitamente na minhapochete. Meu plano era levar para casa assim mesmo. Mas num gestoautomático, a funcionária registrou a compra e enfiou rapidamente a míseracaixinha num saco onde caberiam seguramente outras dez. Pelas razões queexplicarei abaixo, recusei gentilmente a embalagem. A plasticomania vem tomando conta do planeta desde que o inglês AlexanderParkes inventou o primeiro plástico, em 1862. O novo material sintéticoreduziu os custos dos comerciantes e incrementou a sanha consumista dacivilização moderna. Mas os estragos causados pelo derrame indiscriminadode plásticos na natureza tornou o consumidor um colaborador passivo de umdesastre ambiental de grandes proporções. Feitos de resinas sintéticasoriginadas do petróleo, esses sacos não são biodegradáveis e levam séculospara se decompor na natureza.Usando a linguagem dos cientistas, esses saquinhos são feitos de cadeiasmoleculares inquebráveis, e é impossível definir com precisão quanto tempolevam para desaparecer no meio natural. No caso específico das sacolas desupermercado, por exemplo, a matéria-prima é o plástico filme, produzido apartir de uma resina chamada polietileno de baixa densidade (PEBD).No Brasil são produzidas 210 mil toneladas anuais de plástico filme, que járepresenta 9,7%de todo o lixo do país. Abandonados em vazadouros, essessacos plásticos impedem a passagem da água, retardando a decomposição dosmateriais biodegradáveis, e dificultam a compactação dos detritos.Essa realidade que tanto preocupa os ambientalistas no Brasil, já justificoumudanças importantes na legislação - e na cultura - de vários paíseseuropeus.Na Alemanha, por exemplo, a plasticomania deu lugar à sacolamania (cada um levando sua própriasacola). Quem não anda com sua própria sacola a tiracolo para levar as compras é obrigado a pagar uma taxa extra pelo uso de sacos plásticos. O preço é salgado: o equivalente a sessenta centavos a unidade. A guerra contra os sacos plásticos ganhou força em 1991, quando foiaprovada uma lei que obriga os produtores e distribuidores de embalagens aaceitar de volta e a reciclar seus produtos após o uso. E o que fizeram osempresários? Repassaram imediatamente os custos para o consumidor. Além de antiecológico, ficou bem mais caro usar sacos plásticos na Alemanha. Na Irlanda, desde1997 paga-se um imposto de nove centavos de librairlandesa por cada saco plástico. A criação da taxa fez multiplicar onúmero de irlandeses indo às compras com suas próprias sacolas de pano, depalha, e mochilas.
Em toda a Grã-Bretanha, a rede de supermercados CO-OP mobilizou a atenção dos consumidores com uma campanha original e ecológica: todas as lojas da rede terão seus produtos embalados em sacos plásticos 100% biodegradáveis.Até dezembro deste ano, pelo menos 2/3 de todos os saquinhos usados na redeserão feitos de um material que, segundo testes em laboratório, se decompõedezoito meses depois de descartado. Com um detalhe interessante: se poracaso não houver contato com a água, o plástico se dissolve assim mesmo, porque serve de alimento para microorganismos encontrados na natureza. Não há desculpas para nós brasileiros não estarmos igualmente preocupadoscom a multiplicação indiscriminada de sacos plásticos na natureza.O país que sediou a Rio-92 (Conferência Mundial da ONU sobreDesenvolvimento e Meio Ambiente) e que tem uma das legislações ambientais mais avançadas do planeta, ainda não acordou para o problema do descarte de embalagens em geral, e dos sacos plásticos em particular.A única iniciativa de regulamentar o que hoje acontece deforma aleatória ecaótica foi rechaçada pelo Congresso na legislatura passada.O entãodeputado Emerson Kapaz foi o relator da comissão criada para elaborara"Política Nacional de Resíduos Sólidos". Entre outros objetivos, o projetoapresentava propostas para a destinação inteligente dos resíduos, a reduçãodo volume de lixo no Brasil, e definia regras claras para que produtores ecomerciantes assumissem novas responsabilidades em relação aos resíduos que descartam na natureza, assumindo o ônus pela coleta e processamento demateriais que degradam o meio ambiente e a qualidade de vida.O projetoelaborado pela comissão não chegou a ser votado. Não se sabe quando será.Sabe-se apenas que não está na pauta do Congresso..Omissão grave dos nossos parlamentares que não pode ser atribuída ao meroesquecimento. Há um lobby poderoso no Congresso trabalhando no sentido deesvaziar esse conjunto de propostas que atinge determinados setores daindústria e do comércio.
É preciso declarar guerra contra a plasticomania e se rebelar contra aausência de uma legislação específica para a gestão dos resíduos sólidos. Há muitos interesses em jogo. Qual é o seu? Vamos fazer a nossa parte, vamos repassar a mensagem.


COMENTÁRIO: CONCORDO COM O JORNALISTA, MAS NO BRASIL OS SACOS SÃO MANIA NACIONAL E OS EMPRESÁRIOS AGRADECEM. SUBDESENVOLVIMENTO PATROCINADO PELO DONO DA FÁBRICA. SE ESSA CAMPANHA CONTRA OS SACOS PLÁSTICOS VINGAR, OS EMPRESÁRIOS VÃO DIZER QUE DIMINUI O EMPREGO BLÁ BLÁ BLÁ...


Copyright © 2003 - 2010 Factorama. Os artigos contidos nesta revista eletrônica são de responsabilidade de seus autores. A reprodução do conteúdo, total ou parcial é permitida, desde que citado o Autor e a fonte, Factorama http://factorama2.blogspot.com. Publicação de divulgação científica em meio eletrônico. Destinada ao debate político, econômico, ambiental e territorial, com atualização diária. Ano 6, Primeira edição em julho de 2003. BLOG é abreviação de weblog. Vem de web, que significa internet, e log, de conectar-se à rede. Qualquer publicação freqüente de informações pode ser considerado um blog.

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Página Principal - Arquivo Morto do período de 12/2003 até 03/2006
 

A motosserra está de volta!!!

Motosserra

Copyright © 2011 JUGV


Arquivos FACTORAMA



Site Feed Site Feed

Add to Google