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Estação Rodoviária de Maringá (2)

quinta-feira, fevereiro 15, 2007 11:45:00 PM


A cidade no jardim

Figura 2 - Vista da Praça Raposo Tavares tendo ao fundo a fachada da Estação Rodoviária Municipal de Maringá, interditada pela prefeitura.

Voltando ao eixo da Avenida Getúlio Vargas, o antigo Terminal Rodoviário Municipal de Maringá, apesar de não estar num destes entroncamentos, é um dos marcos de referência que compoem o cenário planejado para a cidade jardim. Este cenário foi em parte destruído pela verticalização, liberada dentro da área desenhada por Macedo Vieira, pois, segundo propunha Ebenezer Howard, autor do conceito de cidade jardim, a altura máxima para uma cidade saudável, bem arejada, suficientemente iluminada e com escala humana adequada deveria ser de no máximo seis pavimentos.

Por força dos agentes imobiliários e com aval do poder público municipal, em Maringá, como em muitas outras cidades brasileiras, tais como Cianorte e Umuarama, onde o traçado foi inspirado nas idéias de Howard, este modelo foi pervertido.

O modelo que reunia os benefícios sanitários da vida rural e as inovaçoes tecnológicas da Revolução Industrial introduzidas na infraestrutura urbana visando facilitar o acesso dos operários à qualidade de vida na cidade foi sendo contaminado principalmente pelos empreendedores imobiliários que pressionam o poder público para atender seus próprios interesses.

Em lugar de privilegiar o convívio social nos largos passeios cobertos por alamedas de árvores, ou nas amplas praças e parques densamente arborizados, os condomínios verticais e espigões distanciam os indivíduos e reforçam ainda mais a estratificação social. Por consequência disto, as grandes áreas verdes acabam se tornando locais inseguros, de delinquência juvenil, como denunciava Jane Jacobs. Quanto maior a distância do solo, maior a ostentação, o isolamento e o statu quo. Os espigões de apartamentos parecem disputar entre si o espaço, o ar e a vista do horizonte.

Nesta disputa, os edifícios mais baixos são desvalorizados na medida em que seus apartamentos se tornam insalubres, confinados e com vistas desagradáveis. Como alternativa à decadência da qualidade de vida nos espigões, as classes de melhor poder aquisitivo, ciosas de segurança e tranquilidade, buscam recuperar a qualidade de vida anteriormente oferecida pelo modelo de cidade jardim fugindo para áreas distantes da área central e até mesmo fora do perímetro urbano.

Esta parte da população que vive em apartamentos do "centro-jardim" compõe o público alvo dos empreendedores de condomínios murados urbanos que se multiplicam próximo aos fundos de vale da cidade, buscando privatizar as áreas de preservaçao permanente, bloqueando a via paisagística e o acesso ao seu pequeno pedaço de paraíso particular, espacializando a desintegração da sociedade nas suas fortalezas muralhadas, encimadas por fios eletrificados, câmeras, alarmes, guaritas, pontas, cacos de vidro, etc,

Mais recentemente, são os condomínios rurais, como o Alphaville e o Estância Zaúna que respondem ao sonho de segurança, tranquilidade e contato com a natureza. Estes empreendimentos, que pervertem o papel da urbe como instrumento de construção social e de um futuro sustentável, atestam a falência do modelo de cidade no jardim, re construindo pequenas cidades jardim, com suas proprias áreas verdes e de lazer, em meio à vazios rurais imensos, como se fosse possível esconder se do mundo que nos envolve.


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