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Suzane, Justiça...lembranças

segunda-feira, abril 10, 2006 11:31:00 PM

A prisão, ontem à noite, da loirinha demoníaca, Suzane Richthofen, que ajudou o namorado e um irmão deste a assassinar seus próprios pais, trouxe-me de volta à memória um julgamento que presenciei, quase integralmente, em Rio Claro (SP), há mais de 20 anos. Suzane, que foi presa logo após o crime, ganhou o direito de aguardar o julgamento (marcado para junho próximo) em liberdade, beneficiada por decisão do STF, há nove meses. Vocês que também devem ter acompanhado os fatos, ontem, sabem que este recuo do Judiciário foi provocado pela entrevista que a bela concedeu no domingo ao Fantástico. Tudo por culpa de um microfone indiscreto, que captou as “instruções” que os advogados passaram à cliente, encomendando ceninhas de choro, de arrependimento, dor e os diabos. Era tudo o que o Judiciário “precisava” para dar uma satisfação imediata à sociedade, metendo a megera atrás das grades, novamente.
Bem, o crime de Suzane certamente não foi o mais cruel dos últimos anos. Há coisas piores por ai, mas Suzane era de família abonada e ainda por cima universitária, o que faz o povão babar e a mídia alvoroçar. Então, o caso ainda vai render por um bom tempo muitas páginas nos melhores jornais, revistas, emissoras de rádio e televisão. Sobre outros tantos crimes, tão ou mais violentos, poucos terão conhecimento. É assim mesmo.
Mas, volto à lembrança daquele caso, do primeiro Júri que acompanhei como jornalista. Sai enojado daquele julgamento, depois de ver a atitude do advogado de defesa, homem famoso por sua eloqüência e indiscutível capacidade de transformar vítimas em réus ou quase isso. As primeiras fileiras da Sala do Júri estavam tomadas por alunos das faculdades de Direito da região. A cada frase do brilhante advogado, a rapaziada delirava nas poltronas. Rapidinho, o homem envolveu jurados e público incorporado por um personagem de teatro. Recitou poemas, beijou rosas vermelhas e as distribuiu ao público, foi às lágrimas, gritou, blasfemou, sussurrou até que manteve completo domínio daquele verdadeiro palco. Foi um show de hipocrisia, de apelação à mais ralé das emoções. A tal ponto que, se em algum momento o sentido de justiça tinha entrado naquela sala, havia desaparecido sem deixar vestígios.
Senti-me envergonhado por estar ali. Não consegui esconder a raiva, a revolta. Enquanto aquele palhaço (na pior das acepções do termo) valsava no recinto, seus seguidores, jovens acadêmicos, pareciam hipnotizados com aquela retórica absurda. O réu, afinal, que era, reconhecidamente, um assassino frio, calculista, dono de um histórico de vida violento, recebeu pena mínima naquele que foi chamado de Julgamento da Década em Rio Claro. Depois disso, nunca mais encarei uma pauta daquelas. E minha esperança na justiça acabou. Também conclui, desiludido, que as letrinhas da lei, em muitos casos, podem se adequar a todo tipo de jogo, de acordo com o talento de quem as utiliza. Às exceções, que também imagino existirem, só posso abençoar e desejar vida longa!


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